Entenda a Ação Civil Pública do MP
A 7ª Promotoria de Justiça de Marabá, vinculada ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), ingressou com uma Ação Civil Pública (ACP) contra a empresa 99 Tecnologia Ltda. O objetivo da ação, protocolada na 1ª Vara Cível e Empresarial no dia 15 de maio, é exigir uma indenização de, no mínimo, R$ 500 mil por danos morais coletivos, devido a práticas consideradas abusivas em relação aos consumidores que utilizam a plataforma na cidade de Marabá, localizada no sudeste do Pará.
Práticas Irregulares Identificadas em Marabá
De acordo com as investigações realizadas pelo MPPA, foi constatado que motoristas começaram a usar o chat do aplicativo para negociar valores “por fora”, após aceitarem corridas com o preço inicialmente informado. Essa prática se transformou em um leilão informal de tarifas, onde passageiros recebiam mensagens como “Podemos fechar por 12?” ou “Pode ser por 10?” alegando que a tarifa do aplicativo não era compensadora.
O Impacto das Cobranças Extrajudiciais nos Consumidores
Os relatos coletados pelos promotores indicam que os consumidores tiveram aumentos que superaram 300% nos valores das corridas, além de situações que comprometeram a vulnerabilidade de alguns passageiros. Casos de pacientes saindo de hospitais, que foram pressionados a pagar valores extras, foram especialmente destacados, assim como aqueles que enfrentaram cancelamentos repetidos após recusarem negociações paralelas.

Como o MPPA Está Defendendo os Direitos dos Consumidores
A promotora de Justiça Mayanna Silva de Souza Queiroz, responsável pela ação, argumenta que a 99 não tomou as medidas necessárias para coibir esses comportamentos abusivos, mesmo tendo à disposição ferramentas tecnológicas que poderiam detectar mensagens suspeitas contidas no chat, como termos relacionados a pagamentos “por fora”.
Detalhes da Denúncia Contra a Plataforma
Na ação, o MPPA relevou que um técnico de sua própria equipe passou por três cancelamentos seguidos em um único dia devido a tentativas de motoristas de cobrar valores fora do aplicativo. Isso reflete a ausência de controle efetivo e fiscalização por parte da plataforma sobre suas operações.
Consequências de Acordos Não Registrados
O Ministério Público enfatiza que a única tarifa válida para as corridas deve ser aquela exibida no aplicativo no momento da solicitação. Qualquer taxa adicional caracterizaria uma violação do Código de Defesa do Consumidor, permitindo, assim, que medidas corretivas sejam tomadas.
O Relato de Consumidores e sua Vulnerabilidade
Com a coleta de 105 reclamações de consumidores de Marabá no portal Reclame Aqui, ficou evidente que muitos estão sendo alvos de práticas abusivas. Além disso, o PROCON Municipal já possui diversos trâmites administrativos aberto em relação a denúncias similares direcionadas à mesma empresa.
Medidas Propostas para a Transparência das Cobranças
Na Ação Civil Pública, são solicitadas algumas medidas para assegurar maior transparência nas operações da plataforma, como:
- Mecanismos automáticos: Implementação de bloqueios em mensagens suspeitas dentro do chat no aplicativo em até 72 horas.
- Alertas a usuários: Notificações sobre a ilegalidade de cobranças não registradas na plataforma.
- Transparência em punições: Divulgação de informações sobre as penalizações aplicadas a motoristas.
- Relatórios periódicos: Apresentação de dados sobre advertências, suspensões e bloqueios de condutores na região.
A Resposta da Justiça e do Ministério Público
A Ação Civil Pública está em análise pela Justiça de Marabá, onde o MPPA espera que medidas de proteção eficazes sejam adotadas para garantir os direitos dos consumidores e inibir práticas abusivas.
Perspectivas Futuras para os Consumidores em Marabá
Esta ação representa um importante passo para a defesa dos consumidores em Marabá e pode servir como um alerta para outras empresas que operam nesse segmento. A expectativa é que a judicialização leve a um maior respeito às normas do Código de Defesa do Consumidor e que outras práticas abusivas sejam coibidas por completo.


